28 de junho de 2007

Poemas antigos, que encontrei num diário…
Dor
Atravessando os caminhos desertos do meu coração .
Encontram-se teias, pó e muita neblina.
é uma neblina que chega a ser tão densa,
que o ritmo alucinante em que bate,
Tão miserável coração,
Transforma-os em pequenos sopros
Aterradores, uivando minha solidão.
Desolação, desilusão
Por que bater? Mas insiste em bater: TUM , TUM-TUM
Por que viver? Mas ele insiste em sobreviver ahhhhhhh.
Se sofro?… Perguntaram-me uma vez;
Sofro um sofrimento, dolorido sem dor.
A dor que sinto não é proveniente do sofrimento.
Provém da insanidade do sofrer.
Pois ao sentir dor .
Sinto que vivo.
27 de junho de 2007

Sobre a mesa, um livro
Uma xícara de café
O incenso a queimar
Passara toda a noite ali
Um blues passeando pela sala
Agora já de manhã
Descansa para lá e para cá
Na rede da varanda
Brinca com os pés no ar
Está ansiosa
Sua amada logo irá chegar
O dia já planejado
Passeio, piquenique, filme abraçadinhas na cama
Uma massagem, vinho, velas… perfeito.
Ela está atrasada
O telefone toca
Corre para atender, o coração na boca
Do outro lado voz de homem
Ela ouve alguns trechos, a ligação está ruim
- Acidente… motorista bêbado…atropelou…floricultura…ela morreu…
Telefone no chão
Ela no chão
Mãos no rosto
Pega o telefone novamente
Anota o endereço
Floricultura Amor Perfeito
O balconista havia ligado
Conta-lhe tudo agora
Mesmo tom de manchete policial
Sua amada chegara as 8:30hs
Encomendou um buquê de lírios
- Os maiores e mais lindos lírios que tiver! Ela dissera com um largo sorriso.
Anotou o endereço e o telefone para entrega
Foi assim que ele soube para quem ligar
A amada pagou e saiu
Na calçada esperava o semáforo abrir
Foi então que veio o carro
Ziguezagueando pela rua
Ela não o viu subir na calçada
Foi atingida, jogada contra o muro
Morreu quase que instantaneamente
Houve tempo apenas para dizer-lhe
- Por favor, o entregue a ela…
O balconista aponta o buquê do outro lado do balcão
A família já fora avisada
Ela soube por uma amiga do velório e do enterro
Assiste tudo de longe
O corpo de sua amada ser enterrado
Sua amada queria ser cremada
Os filhos não conhecem a mãe
Como ela a conhecia
Sabia cheiro, lugar, comida, cor, livro, música preferidos dela.
Elas iriam se casar
E finalmente assumir o amor
Sentiu o coração espremido
Um frio percorrer a espinha
Aguardou a família ir embora
Aproximou-se da lápide
Sobre a sepultura uma mulher a chorar
Um lindo buquê de lírios
E um grande amor para contar.
22 de junho de 2007

Eu não deveria mais sentir
Mas ainda sinto
Com cada célula
Cada poro da minha pele
E sangro uma hemorragia
Que pinta todo o meu ser
Eu quero chorar, me limpar
Mas as lágrimas não me atendem
Pare de buscar desculpas
Tens exatamente o que merece
Sinto-me tão fraca
Hoje não quero sair da cama
Estou doente
Não se faça de vítima
Você é forte e sabe disso
Erga-se, enfrente seu dia!
Preciso de ajuda,
Preciso de colo,
Preciso entender…
Só quem pode te ajudar é você mesma
Agarre-se em você
Precisa entender
Busque clareza
Clareza?
Estou enlouquecendo
Estou tendo uma discussão
Comigo mesma
Vou procurar ajuda!
Não, você não vai!
Sou mais forte
Decido
Continuamos seguindo
Fugindo, fingindo…